O Pão integral, a idéia e o propósito
- Pão do Bento

- 30 de jan.
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Debulhar o trigo Recolher cada bago do trigo Forjar no trigo o milagre do pão E se fartar de pão. Cio da Terra de Milton Nascimento e Chico Buarque.
Essas palavras resumem de forma poética a relação histórica da humanidade com a natureza e com o alimento, do qual o pão é o símbolo maior. São palavras inspiradoras, muito especialmente nos tempos atuais em que tudo é relativizado em prol de qualquer sucesso financeiro.
Desde o início fabricamos nosso pão integral a partir da moagem do trigo. Ou seja, não compramos farinha, compramos grão de trigo, ele é a nossa matriz. Inúmeras vantagens decorrem dessa escolha:
Temos um grão selecionado, próprio para fazer pão.
Temos a moagem em moinhos de pedras que produz a farinha que preserva e reune todas as características nutricionais do trigo.
Temos a farinha sempre fresca e “forjamos o pão” muito antes da oxidação natural do gérmen e das partes oleaginosas da aleurona.
Essa é a nossa característica distintiva e única que coloca o Pão do Bento num patamar diferenciado. Fazemos pão há 40 anos, mas consideramos que sempre temos algo novo a aprender. Só recentemente, por exemplo, ”caiu a ficha” de perceber como o grão do trigo é descrito na literatura, como sendo constituído de três partes: farelo, gérmen e endosperma, enquanto na verdade uma quarta parte chamada aleurona é simplesmente ignorada. Trata-se de uma fina camada colada no farelo, composta por componentes que vão nutrir o processo de germinação, ou seja possuem simplesmente cerca de 40% dos nutrientes mais preciosos do trigo. Mas por que é ignorada? Porque no processo moderno da fabricação da farinha de trigo, que é predominantemente de farinha branca, não existe tecnologia que aproveite a aleurona. Ela é simplesmente descartada junto com o farelo. Bem, descartada em termos, pois vai servir como ração para animais.

Sinergia, o entendimento que falta
O problema da industrialização moderna do trigo, é entregar farinha branca super refinada ao mercado, o que comercialmente é muito vantajoso, mas como alimento além de pobre é problemática. Essa questão é mascarada pela campanha de retirada do glúten indiscriminada da dieta da população, preconizada por novos atores comerciais.
A farinha branca tem um consumo universal elevadíssimo mundo afora e é a causa de inúmeros problemas de saúde.
Provoca rápidos picos de glicose, favorecendo o aumento de risco de diabetes tipo 2.
Por ser rica em carboidratos e pobre em fibras facilita o acúmulo de gorduras.
Carboidratos refinados em excesso estão associados a aumento de processos inflamatórios.
Favorece a constipação (intestino preso) e piora a saúde intestinal.
Por ter excesso de glúten, em algumas pessoas causa gases, estufamento, desconforto e diarreia.
De forma completamente diferente, os componentes do trigo presentes na farinha integral de verdade, interagem em sinergia, nutrindo de forma natural e equilibrada. Os nutrientes isolados não funcionam como no alimento integral ou seja, “remontar” a farinha integral misturando os tais três partes que citamos acima, simplesmente não funciona, é apenas um arremedo, ainda mais que a camada essencial da aleurona está fora dessa equação.
Portanto para quem quer um pão integral que entregue o que promete e não esteja atrelado a qualquer modismo, até porque este pão que hoje oferecemos é apenas a réplica do pão integral que vem alimentando a humanidade nos últimos 5000 anos, oferecemos estes argumentos.




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