O trigo e o tempo
- Pão do Bento

- há 1 dia
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Recentemente, recebi fotos de um moinho de pedras em Holambra (SP). Ver aquele mecanismo de madeira funcionando até hoje é fascinante, mas me trouxe uma reflexão: será que essa tecnologia é apenas uma peça de museu que ficou pra trás?
A verdade é que chamar o moinho de pedras de "rudimentar" é uma construção da narrativa industrial. Enquanto o mundo acelerou, a ciência nutricional confirmou o que nossos antepassados já sabiam: a moagem lenta e a frio das pedras é a única que preserva as enzimas vivas e os óleos voláteis do trigo. É o único processo que entrega uma farinha integral verdadeiramente íntegra.
Historicamente, a indústria não buscou "evoluir" a moagem em moinhos de pedras, mas transformar a moagem de trigo em outro modelo de negócio. Os modernos moinhos de rolos de aço embutiram em seu projeto outras prioridades, separando o trigo em farelo, gérmen e farinha branca, um processo comercialmente muito mais vantajoso, mas nutricionalmente muito empobrecido.
Hoje, a realidade é clara: o moinho de pedras é a tecnologia de ponta da saúde, enquanto o moinho de rolo é a tecnologia de ponta do lucro. No final das contas, quem produz alimentos define suas prioridades e essas nem sempre são em favor do consumidor.

Moinho Povos Unidos de Holambra, São Paulo. Sendo considerado o moinho de vento mais alto da América Latina, funciona exatamente da mesma forma que os moinhos holandeses, moendo grãos utilizando a força dos ventos. Fonte: Conecteflora.



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